Inspirado nas reflexões sobre certa pessoa e neste texto (em inglês).

Hoje em dia vemos muitas pessoas “diferentes”. Vemos certos estereótipos serem confirmados todos os dias; quando eu, no auge de meu otimismo (não sei se no auge, mas isso já faz mais de um ano), pensava que era só produto da minha imaginação essas adolescentes rasas e sem graça, não é que conheço duas meninas, relativamente bonitas e bem arrumadas com calças jeans, sandálias rasteirinhas e jaquetinha da Bad Cat? Pois é. Das duas a três horas que estive na região próxima a elas, elas SÓ (não é de vez em quando, é ) falaram de quem ficou com quem, quem pegou quem naquela festa, quem terminou com quem, qual guria do bairro tava grávida… Só interromperam o diálogo pra ir na fila das lotéricas pegar o telefone de um grupo de homens.

Enfim, aí você vê muitas pessoas normais, com pequenas variações dentro do mesmo grande e limitado esquema das coisas, e você vê pessoas diferentes, que construíram com esforço uma visão de mundo a partir do questionamento de verdades estabelecidas e tiveram os colhões de tomar pra si a responsabilidade pelos seus atos que, muitas vezes, causam um quase nulo reconhecimento social.

E aí fica a questão… O que é uma pessoa “especial”? Não são os resultados humanos dessa atitude, são as pessoas que tomaram essa atitude. Ou seja, não é a pessoa diferente. O fato de que pessoas assim são diferentes do resto é apenas uma conseqüência natural quando você resolve construir a sua visão de mundo e não seguir a “nebulous collection of people doing the exact same thing”.

Por exemplo: se a grande maioria da humanidade resolvesse ser assim, não teríamos mais um monolítico modo de ser e as pessoas incomuns, que o desafiaram, e sim teríamos tantas variações existenciais que seria impossível ser único - você sempre seria capaz de achar alguém muito parecido com você. Isso só evidencia que a meta não é ser único, diferente - mesmo porque muitas vezes isso é só aparência. A meta é construir a sua identidade de forma a questionar pressuposições e a fazer isso seguindo suas vontades, suas paixões, seus humores. Essa liberdade e a consciência dele fazem de uma pessoa uma pessoa especial.

Afinal, dá pra perceber quando alguém compra sua originalidade no supermercado e quando planta, colhe e prepara…

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