Eureka!

Estava comendo um (pedaço de) bolo de cenoura, quando me veio à resposta para um desafio pertinente à minha filosofia: a questão do otimismo e do pessimismo enquanto foco.

Se a teoria da vida como um todo indivisível (ou pelo menos preferencialmente indivisível) engloba todos os sentimentos e emoções e etc, isso de certa forma deveria pressupor um equilíbro entre o otimismo e o pessimismo - assim, não se trata apenas de aceitar todos os sentimentos, mas também de sempre procurar viver os dois equilibradamente. Por exemplo, ao invés de pensar positivo ou negativo, a pessoa pensa um pouco agora, depois um pouco depois, e assim por diante, equilibrando-os, pois os dois tipos de pensamentos acabam trazendo diversas conseqüências e, quando são mais ativos do que passivos significam, até certo ponto, a temível seleção.

Entretanto, nas minhas andanças, me deparei com a solução! Minha mente forjou a imagem mental de um debate onde esclarecia essa dúvida (as dúvidas sobre meus próprios pontos de vista sempre são imaginadas dessa forma; eu me imagino explicando a resposta pra alguém. No fundo, explico a mim mesmo). Alguém perguntava: “Mas Peterson, você tem que reconhecer que esse negócio de “aceitar” a vida como um todo é muito… Ah, por exemplo, uma pessoa pode ficar lembrando-se o tempo todo das coisas ruins que viveu; ou então acaba sempre sendo pessimista, já que o amor a todos os sentimentos permite isso.”

Bom, eu sempre tento pensar de forma mais redutiva possível, pois compreendo que conceitos são… Pff, conceitos. Se a pessoa tem vontade de agir assim, ela que haja. Mas aí não há o tal “equilíbrio” dos 5 (ou 2, bom e mau) elementos que a vida deveria ter. Mas então eu me imaginei respondendo ao indagador da seguinte forma:

“Bom, é quase (com ênfase no quase) certo que pragmaticamente é melhor se lembrar do que aconteceu de bom do que do que aconteceu de ruim. E é melhor imaginar um futuro bom do que um futuro ruim. Mas… Não seria ainda melhor viver e sentir o presente, seja lá o que ele for, do que se esconder na segurança do passado e na ilusão do futuro?”

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Enquanto andava pelo blog 1001 Gatos de Schrödinger - abri uma nova aba no firefox ao terminar de escrever o primeiro post deste post duplo - li a velha frase de Schopenhauer: “Amor é o velho fantasma do qual todos falam, mas ninguém nunca viu”. Eu já tinha entendido o porquê daquilo; tinha até concordado. Mas me lembrei então de uma passagem do filósofo (filósofo, não escritor) Douglas Adams no seu livro “O Restaurante no Fim do Universo”, que pode explicar muita coisa pra quem duvida do filósofo alemão. Aqui vai o trecho de Douglas:

- Como posso saber - disse o homem -, se o passado não é uma ficção projetada para explicar a discrepância entre minhas sensações físicas imediatas e meu estado de espírito?
(…)
Zaphod levantou-se alegremente.
- Um drinque a isso - disse, e pegou a garrafa de Aguardente Janx que tinha trazido. (…)

Agora tudo faz mais sentido.

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