A história é um desenvolvimento. Nós não conseguimos avaliar com clareza o nosso presente, mas à medida em que o atual fica pra trás, ele começa a diminuir, a perder volume, e quanto menor e menos complexo, mais estereotipado e rochoso o passado fica. Isso é um fenômeno psicológico, uma exigência da nossa memória (seletiva e imprecisa), que se repete no empreendimento humano que é o estudo histórico.

Tanto quanto aprendemos na escola que “os britânicos apoiaram a abolição da escravatura porque queriam mais mercado consumidor”, aprendemos com a sabedoria popular (porém um pouco mais culta do que real sabedoria popular, aquela das nossas avós e dos simpáticos velhinhos que jogam xadrez na praça) que o movimento punk foi manipulado pelos falsos Sex Pistols e pela estilista emergente Vivienne Westwood.

Ora, isso não poderia deixar de ser mais falso! Acabo de ver (lembre-se que não posto no mesmo dia em que escrevo algo) uma entrevista com a Vivienne na Globo News e há algum tempo comprei um DVD sobre o “Never Mind The Bollocs”, um dos álbuns mais revolucionários de todos os tempos, ao lado de Beatles, Guns’n'Roses e Radiohead. E digo que nem os Sex Pistols parecem falsos, muito menos a “dama do punk”.

Na entrevista, Vivienne comenta que os jovens estão cada vez mais conformistas, e ela aponta como principal problema do mundo a “ditração ininterrupta” - tem muita música, muita publicidade, diversão, opiniões… As pessoas não pensam mais, não tem mais tempo pra pensar. Ela critica essa cultura da distração: ela (eu também e duvido que você não) conhece pessoas que se agarram às distrações porque explodiriam se parassem pra pensar por um instante.

Ela também criticou o consumismo e a própria moda de forma brilhante. Sinceramente, ela definitivamente ganhou a minha simpatia. Os Sex Pistols já haviam ganhado antes, por mais que o objetivo do produtor dele fosse ganhar dinheiro, eles simplesmente aceitaram e continuaram - o importante, afinal, era passar a mensagem. Aliás, que mensagem! “Schools Are Prisons” me emociona sempre que eu ouço.

Nesta página está o vídeo da entrevista.

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