Blogs inteligentes em geral costumam ter posts que colocam os religiosos contra a parede. Houve um acidente uma vez aqui mesmo em Santa Catarina onde um carro (se não me engano) se acidentou, então diversas pessoas (curiosos) foram lá pra ver o que estava acontecendo. Minutos depois um caminhão sem freio matou muitas destas pessoas, no mesmo lugar. Eu até tive a idéia de postar sobre isso, mas o 1001 Gatos o fez de maneira espetacular. Ele já fez posts desse tipo em outras ocasiões, uma delas recente até. De qualquer forma, bem, há também o Ceticismo, Ciência e Tecnologia que sempre faz isso. Bom, como eu já devo ter feito isso mas não me lembro, faço eu também agora um post da série “religiosos, expliquem essa se puderem”.

Há algum tempo atrás escrevi sobre o Paradoxo do mal, ou o desafio de Epicuro, aqui no blog. Uma das respostas mal-dadas ao paradoxo por parte dos religiosos (em geral os mais ignorantes) é que o mal vem do homem, fruto da sua liberdade. Bem, uma das contra-respostas que se pode dar a quem diz isso é: e quanto aos fenômenos naturais, hum?

Aqui em Florianópolis choveu em 24 horas o que era pra chover no mês inteiro. Em municípios da Grande Florianópolis dezenas de famílias estão desabrigadas, as enchentes destroem casas, deixam o trânsito caótico, pessoas não conseguem viajar, muitas ficam presas nas rodovias federais. Aliás, em Navegantes, município que declarou Estado de Emergência (não me lembro bem se é de emergência ou de calamidade pública), mora uma tia minha que sofreu com isso: há pouco tempo ela comprou móveis novinhos pra casa dela e… Bem, ontem a enchente acabou com tudo. Quando ela chegou em casa estava tudo boiando.

Então eu pergunto: por que, religiosos, por que?

Uma blogueira do Kenya pergunta-se: “Onde está Deus?”. Tem um blog religioso americano que pede aos leitores pra que comentem lá.

Pff. Imagino os comentários. “Deus escreve certo por linhas tortas!”, em inglês. Humpf…

Ser religioso pra pessoas de pouca instrução é fácil, é quase uma “natureza” vinda do contato com tanta religiosidade nos lugares mais pobres do país - digo, do mundo. Agora, quando a pessoa tem instrução e é um pouco mais inteligente, ser religioso, principalmente cristão, é um esporte: o esporte das exceções. A pessoa tem que aceitar a ciência - afinal, quero ver ela provar que as leis da termodinâmica estão erradas, por exemplo - mas mesmo assim afirma pra si mesma que “foi uma exceção”.

Um dia estávamos conversando eu, meus tios e minha prima, durante um jantar. Meu tio então falou: “engraçado essa história da Virgem Maria, não? Como é que ela deu à luz se ela é virgem? Se ela deu à luz, então não é virgem!”, ao que minha tia respondeu: “Não, não tem nada a ver!”. Ele replicou: “Sim, mas como é que pode? Todo mundo sabe que ninguém pode ter filho sendo virgem, oras! Então quer dizer que aconteceu uma vez só, né, depois nunca mais, no mundo inteiro?”, e ela conclui, assertivíssima: “Sim!”.

Haja paciência…

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