Quando você lê um livro começa um “relacionamento” com ele. Terminar a relação de um modo amigável, legal pra todo mundo, é quando o livro acaba; você sente um pouco de saudade, mas sabe que tinha que ter acabado – e sobra uma boa lembrança dele.
Quando você acaba um livro pela metade; quando não gosta dele, o deixa de lado, desiste de lê-lo – isso é terminar um relacionamento com violência. Todo mundo perde.
Por essas e outras que eu não gosto de reler livros. Só os releio (como ando fazendo e quero fazer nos próximos meses) quando não me lembro de quase nada deles – coisa que acontece com O Príncipe, Viagem ao Centro da Terra, Édipo-rei, Antígona, etc. São livros dos quais guardo bons sentimentos na memória do coração – mas nenhuma lembrança fatual.
Se eu relesse, vamos supor, Harry Potter, Livreiro de Cabul, ou até mesmo O Gato Preto, não ia ser a mesma coisa. É como se você voltasse com aquela pessoa com a qual você terminou. Não importa se foi um término bom; se acabou, acabou. Ler de novo é ficar comparando, lembrando do que você sentiu ao ler da primeira vez – muito mais uma imersão ao passado do que o gozo do presente.
Tags: livros, passado, relacionamentos




Eu jamais desisti de um livro. Mesmo aqueles os quais eu comecei a ficar puto/decepcionado com a história. Eu acredito que por mais que ele seja ruim na metade, pode ser que ele se torne bom no fim das contas.
Quanto à reler, eu prefiro reler trechos de quando em quando assim que os lembro para ter aquela sensação boa de quando (quanto quando e quanto quanto) eu li pela primeira vez.
Claro, eu tenho uma fila de 10-15 livros para começar a ler, além dos 3 que já estou lendo e ainda não terminei (A República, 1984 e Crest of the Start Vol 2). Comparado aos mais de 60 que eu tenho, bem.
Ah sim, e tem também o EQM do Rev. Ibrahim - aliás, assim que terminar minha leitura do Principia Discordia quem sabe eu abra minha própria cabala ou entre para alguma, ou não, ou sim. Quem liga?
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Rev. Peterson Cekemp respondeu:
Ah eu já. Tem uns que não consegui. Dois exemplos: “A Arte de Furtar” (acabo de desistir pela segunda vez) e “A História reinterpretada pela Astrologia” - ah, sim, esse eu tenho desde muito antes de agnosticismo, anarquia, discordianismo ou qualquer coisa do gênero…
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