Quando você lê um livro começa um “relacionamento” com ele. Terminar a relação de um modo amigável, legal pra todo mundo, é quando o livro acaba; você sente um pouco de saudade, mas sabe que tinha que ter acabado – e sobra uma boa lembrança dele.

Quando você acaba um livro pela metade; quando não gosta dele, o deixa de lado, desiste de lê-lo – isso é terminar um relacionamento com violência. Todo mundo perde.

Por essas e outras que eu não gosto de reler livros. Só os releio (como ando fazendo e quero fazer nos próximos meses) quando não me lembro de quase nada deles – coisa que acontece com O Príncipe, Viagem ao Centro da Terra, Édipo-rei, Antígona, etc. São livros dos quais guardo bons sentimentos na memória do coração – mas nenhuma lembrança fatual.

Se eu relesse, vamos supor, Harry Potter, Livreiro de Cabul, ou até mesmo O Gato Preto, não ia ser a mesma coisa. É como se você voltasse com aquela pessoa com a qual você terminou. Não importa se foi um término bom; se acabou, acabou. Ler de novo é ficar comparando, lembrando do que você sentiu ao ler da primeira vez – muito mais uma imersão ao passado do que o gozo do presente.

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