Ontem o diário foi preenchido com poucas palavras. De fato, não havia outra coisa a dizer, a pronunciar, a não ser o fato de eu estar mal. Sim, era mal com l, mau seria o contrário de bom. Eu não diria “estou bom”, diria “estou bem”.

Mas será que não estava mau também? O que eu queria fazer naquela hora? Explodir bombas em igrejas (isso eu quero fazer o tempo todo, não conta), matar cada um com o olhar, torcer pescoços de coelhinhos fofinhos? Não, eu não me sentia “mau”. Sentia-me “mal”. Meu sentimento afetou até mesmo meu raciocínio gramático, veja.

Esse post não escrevo hoje; escrevi ontem. Por isso não digo que música estou ouvindo; ele não foi feito no wordpress.

De qualquer forma, escrevo porque preciso anotar o meu primeiro mertre; ou no caso, o segundo. Fiz uma observação importante, uma evolução, aliás, muito importante.

Disse que me sentia dionisíaco. Sim, eu me sentia; mas toda essa onda de euforia e alegria foi interrompida quando eu precisei escolher entre dizer o que eu queria, o que eu tinha vontade, e dizer a verdade. Sim, repito, eu poderia ter dito que a amava – por que não? Eu não senti tudo o que senti? Claro que sim! Por que não havia de ser amor?

Porque isso seria ir longe demais, e eu percebi isso no momento em que selecionava as palavras a usar. Naquele momento, eu senti falta da liberdade; naquele exato momento, meu eu me salvou de ser escravo de meus impulsos e me trouxe para perto da dama da humanidade. É claro que crenças e ideologias servem apenas para atingir um objetivo; neste caso meu objetivo era equilíbrio, cuidado, segurança. Precisei dizer aquilo.

Depois, não mais Dioniso irrompeu em mim. Fiquei a imaginar situações e situações; possibilidades e possibilidades, sempre de olho na triste possibilidade (porém muito, muito real) de que eu não fosse seu escolhido. Não fui. Ainda cheguei a pensar que talvez tivesse que correr riscos demais ao ficar com ela. Amor, amor… Quão filho da puta você é. Será que você sempre vai significar um muito (e jamais um pouco) de submissão? Ali continuei a sentir falta da minha liberdade, e estava minha dama a me acompanhar. Continuei livre e livre permaneci.

Hoje ouvi SKWBN, ouvi Minus, The Bear, Weezer (a deliciosa Buddy Holly). Todas músicas ou psicodélicas ou maravilhosamente lindas e, portanto, chorosas. Entretanto, não chorei – não derramei sequer uma lágrima. Por quê? Não estava dionisíaco o suficiente para expressar meus sentimentos, ou será que não havia sentimentos a expressar? Será que passei pouco tempo pra ter qualquer sentimento maior em relação a ela? Será que ela só não era uma menina linda / legal / inteligente (AO MESMO TEMPO, cacete) e por isso a possibilidade de ficar com ela era algo único, e eu gostava mais da possibilidade do que dela propriamente dita? Será que não estou apenas afoito demais por “alguém”, fazendo disso a minha hipocrisia triste?

E quanto a desejar me sentir triste pela minha situação, será que não estou apenas tentando me colocar no mesmo lugar dos outros, tentando ser como os outros, fazer o que qualquer um faria no meu lugar? Não, não vou dizer que estou triste. Vou dizer que estou puto; mas ao mesmo tempo realizado. Uma realização fria e racional; justamente estou realizado porque entendi algo, compreendi – ainda assim preferia ter ficado com ela, mas não significa que vou me forçar a chorar, como qualquer um faria, apenas porque qualquer um faria isso.

Ah, não, chega de esperar por tais águas que não caem. Afinal de contas, o que é que me vem? Nada! Chega, estou sozinho, não há câmera e posso liberar minha frustração do jeito que quiser. Não tenho motivos pra ser racional e não quero ser! Pronto! Não sou mais! O que é que acontece? NADA. Tenho vontade de quebrar vidros, janelas, objetos, portas, paredes, tudo, tudo, tudo? Não. Sinto-me calmo. Não é pressão para me sentir de tal maneira; apenas me sinto calmo.

Portanto, não vou ficar triste apenas porque deveria fazê-lo. Nem vou ficar alegre porque devo “ir adiante”. Vou ficar do jeito que estou: calmo. Não há motivo para ser de qualquer outra forma.

Venci meus instintos e agora a vitória se completa. Quão fria a vitória é; entretanto, agora é esperar pelo próximo mergulho.

Como disse antes, descubro cada vez mais como não estou errado. Nem poderia estar.

Músicas que ouvi enquanto escrevia:

Olhos Vermelhos (Capital Inicial)
Meu Erro (Paralamas)
Eu Sou Igual a Você (Hateen)
Rough Justice (Rolling Stones)
Luz Sin Gravidad (Belinda) [essa ouvia enquanto revisava o texto]

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