Depois da última onda de mergulho dionisíaco, acabei vencendo com certa facilidade (o que é bom e é ruim) na mesma quarta-feira em que as emoções foram tão bem aproveitadas… Desde então tenho estado muito racional, ou seja, vitorioso, e da mesma forma como a experiência dionisíaca confirmou grande parte do meu pensamento, minha experiência racional também confirma a outra parte do meu pensamento. Isso [racionalidade] é de uma frieza bem característica.

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Now playing: The Film - Can You Touch Me?
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De qualquer forma, estou fazendo “terapia emocional” pra me dionisar novamente. Ouvindo Marit Larsen e SKWBN no fone de ouvido, mas não adianta muito. Tenho que esperar por um momento específico.

Coisas interessantes dos últimos dias: a Duda me contou de um cara que gastava todo o salário dele comprando DVD’s de filmes de terror. A desculpa dele para com a mulher (revoltada e perplexa com essa atitude rotineira e própria de um vagabundo, hehe) era que “ele ia morrer mesmo”. Hehee!!!!! Caramba! Esse cara é foda. Aí diz a Duda que a mulher falava “mas você não põe dinheiro dentro de casa, não ajuda em nada!”, e ele “Eeeeeu não…!”

HehehEAEahEAHeahaehEAHaeEAHEHEhheaehea

Desculpem pelo arroubo de risada do MSN, mas, sinceramente, essa história é MUITO absurda e discordiana. É completamente nonsense! Estou rindo até agora me lembrando disso.

Seria legal fazer isso.

Bom, de qualquer forma, outra coisa foi a minha discussão com meus pais. Minha mãe esqueceu de entregar o DVD, ou seja, no outro dia ela teria que pagar uma multa exorbitante (o dobro do valor da locação). Eles então queriam “negociar”.

Sinceramente, eu entendo o lado deles, como discordiano que sou. Mas como racionalista que fui esses dias, não pude me curvar à situação e tive que adotar um ponto de vista. E o defendi de modo ferrenho, irritando profundamente meu pai uma hora… A questão é que é a seguinte:

Na hora que a minha mãe se lembrou da multa, ela já foi dizendo: “Ah, diz que foi viajar e que teve que levar o DVD junto…”. Mas PORRA! Que mania! Isso é simplesmente irritante; ela não faz isso por pensamento, ela faz isso por impulso descarado, é automático já! Eu briguei com ela não por causa da mania, mas justamente por causa do que ela disse. Oras, por que eu faria isso? Veja:

- Eu aluguei o DVD lá. Eu sabia o que aconteceria se eu esquecesse de entregar.
- A mãe esqueceu de entregar. Não importa se a culpa foi dela; eu que aluguei, para fins de explicações, tinha que “arcar com as conseqüências”, e estava decidido a pagar a multa.

Pôxa, se queremos uma sociedade melhor, não devemos nos comportar de acordo com a lei? O que ocorre pro nosso país estar uma merda não é a mania brasileira do “jeitinho”, sempre querer arrumar um jeito de burlar a lei convenientemente? Então? Se eu errei, eu devo assumir as responsabilidades dos meus erros, não ficar negociando se é justo ou não pagar a porra da multa.

A desculpa dos dois: “Mas nós já somos clientes lá há anos e nunca atrasamos!”. E DAÍ? Isso não significa nada, oras. É a lei, ela tem que ser cumprida.

Não me digam que podia ter sido flexível; eu adotei um ponto de vista e o defendi. Estou com medo disso, mas na próxima oportunidade vou me contradizer: só pra destruir uma imagem estática. Anátema, criação e destruição. A questão é que mesmo que as leis sejam uma bosta, devemos obedecê-las se quisermos construir uma sociedade melhor, oras… O Brasil está uma merda por causa da corrupção, mesmo lado da moeda “jeitinho brasileiro”.

Por outro lado, eu sei que o jeitinho brasileiro é um modo de criatividade diante de um problema. É um processo que guarda lá suas semelhanças com o polipensamento, mas é um tanto quanto diferente. De qualquer forma, ainda assim considero a mania tupiniquim muito mais irritante do que positiva.

Uma coisa que também fez a minha mente se destruir completamente*, foi esse post do Ibrahim. É simplesmente muito bom e explica muita coisa desse meu incidente. Afinal de contas, essa história de “Nós já somos clientes de lá há anos(…)” é muito mais uma racionalização, justificativa, do que uma motivação para agir. E, droga, como minha mãe funciona assim… Que ela não leia isso, com certeza ela não lerá, já que não usa o computador, mas pouco importa. É de conhecimento geral e inegável que a amo, entretanto não posso me furtar a detestar esse hábito triste. Mentiras, desculpas, subterfúgios, racionalizações… Pra ela a ciência é maravilhosa, mas quando a contradiz, não é confiável. Humpf…

O discernimento, o dizer-sim à realidade é, para o forte, uma necessidade tão grande quanto a covardia e a fuga da realidade - o “ideal” - o é para o fraco, subjugado sob a inspiração da fraqueza… Eles não têm liberdade para reconhecer: os décadents têm necessidade da mentira; a mentira é uma das condições de sua conservação…[...]

Nietzsche, Ecce Homo

Quanto à “questão de sorte”, me irritei um pouco com a crítica que a Natacha fez aos homens hoje, na cozinha aqui de casa. “(…) E como os guris são todos uns idiotas(…)”. Na hora eu falei “Bem, nem todos os guris!”. Aí ela “Todos pelos quais a gente se apaixona!” ela respondeu.

Bom, então eu já não sei mais o que pensar a respeito disso, a não ser o fato de que são tantos os fatores responsáveis por uma relação dita amorosa que estou prestes a relegar isso à sorte. Porque veja, de que adianta ser bonito, inteligente, divertido, confiável, carinhoso, musculoso, maduro, corajoso, foda ou o caralho a quatro**, se elas sempre se apaixonam pelos idiotas, pelos bobos, pelos crianções ou pelos “malacos” (ditos miniaturas de rappers que sempre querem parecer ou de fato fazer parte de uma gangue muito terrível). E se você expõe essa teoria pra elas, elas logo negarão e dirão que não é isso o que elas “procuram”, “querem”, “desejam” ou, novamente, o caralho a quatro verbal que você preferir para expressar o-que-quer-que-seja. Porra, então que diabo elas querem? Tudo! Como não entendem (se entendem, não compreendem) que não podem ter tudo, continuam procurando e assim concluo que são as criaturas humanas mais burras da face da terra (bom, isso não as deixa muito longe do pódio de inteligência, mas tudo bem…) É claro que os homens muitas vezes são pouco seletivos e por isso também são muito burros… Se bem que eu coloquei isso apenas pra fins de balanceamento, porque a maioria dos homens que eu conheço são beeem seletivos, eu incluído.

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Now playing: Johann Pachelbel - Kanon REMIX
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Bem, eu só posso mandar tudo se fuder e dizer que é uma questão de sorte e mentira! Mentira porque você tem que mentir, fingindo ser o “TUDO” que elas procuram, e tem que sorte pra conseguir manter essa mentira por tempo suficiente pra que ela aceite que talvez você não seja TUDO, mas também não é um NADA. Porra, tem que ser um ótimo mentiroso (a evolução natural deu essa característica à todas as formas de vida através da comunicação) e tem que ter muita sorte.

Vai dizer que não é?

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Now playing: Avril Lavigne - I Can Do Better
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* A minha mente, como eu explico no prefácio de Seminovosofia, só funciona assim. Eu preciso de uma nova idéia que destrua tudo, pra reconstruir tudo de novo.

** Serve pra fins não profundamente emocionais. Se quiser algo rápido e com foco em outros tipos de emoção, aí isso até que funciona razoavelmente bem.

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