Não, não é uma pergunta de cunho científico.

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Now playing: Shakira - Illegal
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Os últimos dias têm sido ótimos. Mesmo. O último fim de semana, creio eu, foi um dos melhores da minha vida - nada excepcional, só porque ele foi bom em sentidos simples. A semana tem sido ótima, e parece que nesse final de ano as coisas estão se organizando. Tudo está começando a se encaixar, e há sempre alguma coisa ou outra que irrita, que deixa chateado (esse último o de sempre), mas, afinal de contas, o que seria da vida sem essas coisas…

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Now playing: Backstreet Boys - Just Want You To Know
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Sabe, o Canedof uma vez postou aqui que quando ele está “feliz” não consegue escrever direito. Talvez aconteça a mesma coisa comigo. Bizarro, não? Hoje apenas quero compartilhar essas emoções dionisíacas - compostas por momentos bons e ruins, o que é ótimo - e divulgar duas idéias…

A primeira é simples e idiota. Toda vez que eu passo por uma casa com cachorros, eles não latem mais. O que será que aconteceu? Sempre que eu passava por uma casa dessas os cachorros que eventualmente ali estavam começavam a fazer uma algazarra… Incrível, agora todos passam e não dão nem bola - ou quase, sei lá, mas não fazem o barulho todo que faziam antes. Será que é por que agora estou mais calmo, mais tranquilo, e tudo está se tornando cada vez mais positivamente caótico? - digo isso porque antes a minha vida estava mais numa desordem destrutiva do que uma desordem criativa, e acho que ela está agora pendendo pra este último.

Quanto à outra idéia, é a da beleza do destino: quando eu assisti o filme “Stranger Than Fiction” - aquele do post “O Melhor Filme de Todos os Tempos” - teve uma frase sobre teoria literária muito significativa: “A comédia lida com a continuidade da vida, a tragédia com a inevitabilidade da morte”.

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Now playing: Nenhum de Nos - Vou deixar que voce se va
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Se colocarmos a “luz” (estou estudando iluminismo em literatura) da razão, arbitrariamente, digamos, apenas para fins de comparação, no lugar da “comédia”, a tragédia ficaria no dionisíaco? Bom, o próprio Nietzsche se declarou um filósofo trágico.

Mas o que isso significa? Bom, vou explicar o que isso significa: uma vez, enquanto falava com meu irmão no celular, meu pai avisou que queria falar com ele. Mas ele já havia, instantes atrás, desligado o telefone.

Sabe esse momento? Meu pai subitamente virou e disse “calma, deixa eu falar com eeele…” e aí olhou para o celular já afastado da minha orelha, algum momento em que havia possibilidade de recuperar a ligação ao gritar pro meu irmão “ESPERAAAA”, mas mesmo assim eu fecho o flip do celular…

Idiota? Sim, possivelmente. Mas o que eu quero descrever aqui é a beleza desses pequenos momentos em que o anátema do fenômeno acontece. É óbvio (podemos supor que seja, ok?) que se meu pai quisesse falar com meu irmão, eu deveria tentar impedir que ele desligasse o telefone lá do outro lado, se houvesse qualquer possibilidade. Mas quando acontece o inevitável, o momento em que é impossível fazer alguma coisa, ainda que você sabia que é quase necessário fazer algo, isso não é bonito?

O trágico, o dionisíaco, o mergulho da seminovosofia não estaria, em vez de se largar nas emoções suprimindo a razão o máximo possível, contido na razão que contempla o inevitável? Não estaria o dionisíaco encarando com a consciência do universo aquilo que de certa forma tem que acontecer, ainda que você saiba que é possível parar, que é possível voltar, que é possível mudar? Se você já viu o filme “Sunshine - Alerta Solar”, você se lembra do capitão que surtou com a religião e abortou a missão do Ícarus I? Então. E se o motivo dele fosse o nietzscheano trágico? E se ele apenas quisesse assistir a inevitabilidade da morte do Sol, mesmo sabendo que pode fazer algo?

Não é maravilhoso o momento em que “o que não podia acontecer” (com algumas exceções) acontece?

Como alguém que olha uma grande torre destruir, implodir, cair… Mesmo com sua consciênca sobrecarregada de “nããããão!!!!”… É um momento mágico, esse anátema.

Estou com uma idéia de post sobre esse negócio de anátema… Até mais.

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Now playing: Natasha Bedingfield - I Bruise Easily
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