Além do fator moralizador / cristão / burguês do romantismo, há algo de mais podre nele que só hoje fui compreender – ou pelo menos verbalizar, porque sempre senti isso – o fato de que ele insulta a inteligência (a “do coração”) do espectador ao não oferecer nenhum desafio emocional.

Afinal, o romantismo ao estereotipar tudo e etc entrega o sentimento e a trama toda de bandeija para o espectador. Qual é a melhor história? Aquela que te envolve, te leva para outra realidade e nessa ele te faz sentir, mas, de um jeito intuitivo e subconsciente (arte não deve ser sobre racionalidade, ok?) você acaba tendo que descobrir o amor nessa realidade. Nessas realidades alternativas o desafio é olhar para uma nova forma de amar – pois o amor é um sentimento poderoso e simples, e justamente porque não é complexo para ser determinado existe em várias e várias formas.

A parte boa da religião é a sua mitologia não levada a sério; como eu já disse aqui e esse cara diz, o problema da religião é que ela é uma mitologia levada a sério e de uma coisa pode-se derivar várias conseqüências ruins, como podemos ver ao longo da história da humanidade… Outro dia falei para um amigo discordiano que a religião é um “sentimento artístico grosseiro” ou algo parecido. Por quê?

Porque esse sentimento de conexão com o divino que alguns religiosos têm, aquele que o Einstein tinha, um tipo de admiração e reverência pelas coisas e pela realidade do universo, essa conexão é um sentimento de certa forma artístico; se a religião ajuda a “passar por dificuldades” ela o faz de forma covarde, suprimindo o medo com certezas, promessas, seguranças. Ora, viver a dor e a alegria de viver – e o prazer final de fazer com que a sua vontade supere os seus medos – é algo que pode ser melhor compreendido através da mitologia (o que é arte) mas também pode ser experimentado em toda sua intensidade através da música (considerada por Schopenhauer a melhor arte – a arquitetura ficou por último, até onde eu sei…).

O sentimento religioso não é necessariamente grosseiro, mas corrompe a beleza da arte porque quando se leva a sério a mitologia – tendo gasto algum tempo pensando sobre ela – é de se esperar um motivo subreptício para se entregar aos preceitos religiosos. Talvez uma certa propensão a gostar de um pai protetor… Pra que os parêntesis, não é mesmo – Freud, alguém?

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