Ano passado as três turmas de segundo ano se juntaram para jogar contra o Terceirão. O que eu penso sobre isso? Foi legal, sabe. O Terceirão até o ano passado foi uma turma só. Na prática, ele é uma turma só, mas dividida em dois espaços pra que a aula seja mais efetiva.

O problema é que o terceirão é besta. Sempre foi. Se acha o dono do colégio. As pessoas justificam: é o nosso último ano. O último antes da faculdade, ou seja, aquela vida de condenado que o adulto comum leva – faculdade, trabalho, casa, faculdade, trabalho, casa. Mas é um abuso, sinceramente. É uma questão de estado de espírito mesmo; a gigantesca maioria dos estudantes do terceirão se sentem superiores por estarem no terceirão. É tosco. Ou seja, foi legal, sabe. É legal que o terceirão saiba que tem um rival. É bom que saibam que há alguém tão ou mais forte que eles.

Mas esse ano as turmas do segundo ano (do qual faço parte em 2008) querem fazer a mesma coisa. Se juntar nas olimpíadas contra o poderio esportivo do terceirão. Eu, sinceramente, sinto uma aura mecânica nisso. Não gosto da idéia. Eu não sei como foi ano passado, mas deu pra sentir uma certa espontaneidade na coisa. Deu pra sentir mesmo a raiva, aquele ciúme de filho em relação ao pai colégio, aquela vontade de mostrar que os tolinhos do terceirão não são os melhores não. Mas esse ano a coisa toda fica resumida a “ano passado foi legal, a gente devia fazer a mesma coisa esse ano”. Por favor, por favor. Que coisa mais tosca. Palavra boa essa, tosca. Tosco, tosco. Meio italiana.

Bem, voltando ao assunto, querem fazer uns moletons agora. Diz o dignoestranho: “É segundo ano, Pet!”. Eis que respondo, do alto do meu sono matutino: “E daí?”. E daí? É segundo ano, tá bom. É primeiro ano, é oitava série, é sétima série. Sim, as emoções são únicas – o que contaria ponto pro terceirão, já que deveríamos deixar pra fazer essas extravagâncias lá, não é? - mas não significa que eu precise aproveitar tudo. Isso é meio que, sei lá, desespero. Aproveitar, consumir as emoções, mas – calma. Calma também é necessária de vez em quando, anyway.

Aí a amiga da frente, Ana Maria, sugeriu que, ao invés de irmos contra o terceirão, nos uníssemos a eles, pra mostrar que somos diferentes do segundo ano do último ano. Ora, que opção… Sem graça (haa, acharam que eu ia falar tosca de novo, hum?). É sem graça mesmo. Nos unir à nossa melhor opção de nêmesis? Nos unir contra quem? E mesmo que nos uníssemos por paz e não por guerra, imagine o quão divertidas as olimpíadas ficariam, hum? O terceirão e o segundo ano naquele clima de “não importa quem ganhar, irmão, somos todos vencedores!”. Ah, por favor, dá um tempo.

E, de qualquer forma, o terceirão jamais aceitaria um negócio desses. Eles são bestas A maioria é besta. E não é exclusividade não, é coisa universal, pode ver. E é um mecanismo de vaidade podre, podre, podre até a raiz, escorregadio de tão nojento. Durante toda a sua vida escolar você vê o terceirão mandando no colégio. Aí você não reage – nem reclama, nem age. Apenas deixa acontecer e vai acumulando dentro de você a vingança – sim, ser besta no terceirão é uma compensação, uma vingança. Bobinha, mas não deixa de ser vingança. É como um cidadão que aceita ser roubado por um político porque pensa “Espera, seu fidaputa, uma hora eu chego aí e vou roubar mais do que você!”. Assim é o modo como as pessoas vêem o terceirão. A oportunidade de fazer tudo aquilo que ninguém nunca lhes permitiu fazer na escola. E, é claro, a oportunidade de serem melhores que os outros, portanto. É repugnante.

E não é nem preciso dizer que, com a sua mente de longo prazo voltada para a vingança que fará quando estiver no terceirão, você deixa de pensar que você bem que poderia ter os mesmos direitos já, oras.

É. É tosco.

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