Pensar que só verdades irritam é considerar todo ser humano um ser em constante fuga da realidade – o que é verdade para uma massa sem rosto (e sem número, de tão grande que é) de ignorantes, alienados, gentinha comum&quieta. Mas mentiras também irritam.

Debates são coisas desumanas

Num debate não é permitido, sob pena de suicídio argumentativo, que uma pessoa se irrite com uma mentira deslavada. Essa regra da retórica popular favorece aqueles que se controlam, em detrimento daqueles que mais externalizam suas emoções. O que é uma pena, pois vê-se que um mentiroso com autodomínio – e a maioria dos mentirosos o possui – é tido como certo, apenas por seu autodomínio. A verdade não está mais do lado daquele se mata por ela, oh, não. Está do lado daquele que a usa como um amuleto contra as intempéries diversas – aquele agora é louco! O racionalismo contra o racionalismo! O que não se pode fazer, não é mesmo, com um bando de gentinha comum&quieta, quando possuem o sentimento de falácia, mas nenhum controle sobre ele?

O espetáculo

Tudo isso se justifica como o espetáculo da dialética erisiana, onde o importante é ter razão. O espetáculo perde suas cores quando, eventualmente, 1) você se encontra num debate e, quando, logo em seguida, 2) Você externaliza suas emoções.

É por essas e outras

Que a vida não é dialética; que a vida não se encontra num debate (ao contrário de futebol, política e religião), e que Clarice Lispector é a que chegou mais perto da verdade com o menor número possível de palavras.

Tags: , , , ,

Posts relacionados: