Há algum tempo decidi instalar o Gentoo no meu Acer Aspire 3620 Series. Bem, algumas pessoas contam na internet as peripécias da instalação. Achei que em um dia fosse possível pelo menos ter uma base de sistema seguro. Pff, doce ilusão.

Quinta-feira fui à casa do Tiago pra começar os trabalhos. No Slackware 12.1 o K3B tava com um problema esquisito de “malformed URL” toda vez que eu tentava acessar um dvd regravável, o que me impedia de terminar o backup. Ao invés de resolver a distância quarta à noite, Tiago preferiu que fizéssemos tudo quinta; tudo bem…

Cheguei lá bem cedo de manhã e começamos a “tarzipar” (tar.gz) alguns vídeos grandes e toda minha biblioteca de música, de 18 GB. Isso pra poder passar um arquivo só pro computador dele (faríamos backup pro HD dele pra não ter que resolver o problema do K3B - e ele dizia que gravar os cds ia demorar mais).

Outra doce ilusão. A cada 7 minutos, 0.3 GB eram comprimidos. No total, 23,5 GB (aham, isso mesmo) precisavam ser comprimidos. Perto do meio-dia eu notei que ia demorar mais ou menos até as quatro e meia da tarde. O que fazer?

Paramos a tarzipagem das músicas e logo os vídeos ficaram prontos. Fomos pra UFSC e usamos um dos laboratórios deles, com uma internet fantástica de 10 Mega. assim, passamos os arquivos por rede para o computador dele. Assim fizemos a brincadeira do comando da morte (uma combinação estranha de vírgulas, pontos, ( e ) e coisas assim) e bootamos o CD de instalação mínima do Gentoo.

A partição do meu HD ficou como o Tiago sugeriu, porque achei uma idéia muito bem razoável. Uma partição de 1 GB para o boot (/boot) em ext3 (sistema de arquivos mais seguro), uma para swap ed 1GB, uma de 25GB para o / em ReiserFS (sistema de arquivos mais rápido, pra melhor desempenho), e o resto dos 80GB fica com a /home em ext3. Baixamos o stage3 tarball, o Portage tarball, instalamos tudo certinho… Beleza.

Configuramos as USE flags e então deveríamos compilar o kernel (acho), mas o Tiago resolveu fazer o emerge –sync primeiro - não deu certo. Aí ele ia tentar o emerge -DuNav world, mas o Schultz, outro cara que tava com a gente no laboratório e usa Gentoo, falou “não cara, faz o system primeiro”. Aí ele fez emerge -DuNav system, o que descobrimos depois através do Rev. Schneider ser uma ótima idéia, pois se o world fosse feito daria um baita problema.

Aí ficamos jogando Frozen Bubble enquanto os programas eram compilados. Mas o negócio demorava muito. Simultaneamente, o backup do computador do Tiago foi sendo passado pro meu. Quando terminou, resolvemos deixar a UFSC pra voltar pra casa do Tiago; até lá e depois até a minha mãe chegar (o Tiago mora na ilha, eu no continente; demora um pouco pra ir até lá) o meu computador ficou ligado dentro da maleta compilando a coisa toda. Quando eu chego em casa… Fudeu. Acabou a bateria.

Aí, bem, fiquei muito puto. Telefonei pro Tiago e ele disse que assim que chegasse em Itajaí mandaria um e-mail com instruções. O e-mail não tinha chegado até umas 23:30, e meu pai estava usando o computador, então fui dormir e no outro dia veria isso.

Sexta-feira. Acordo mas só depois resolvo pegar no batente. Dou uma olhada no e-mail e… Ôe! Chegou. Imprimo e começo a fazer o que é necessário…

Mas logo no segundo passo (configure a internet) qual é a minha surpresa quando o negócio não funciona? Lá vou eu gastar o crédito todo do meu celular + quase todo da minha mãe com ele pra tentar resolver o negócio. Conclusão: de alguma forma estranha o LiveCD não, hum, “reconhece” a minha internet. Solução? Procura outra. Outra internet.

Liguei pra Aline mas ela estuda italiano sexta à tarde. Fui pro meu curso de inglês roubar a internet de um dos computadores de lá (por roubar quero dizer simbolicamente, não literalmente, hehe, eu falei com a secretária e tal e tudo certo). Usei a net lá perfeitamente bem pra baixar o gentoo-sources.

Volto pra casa, boto meu computador no AC power (não quero que ele desligue de novo, mesmo que ele não faça nada). Pelo computador do meu pai vou seguindo as instruções mínimas e… Vou configurando o kernel.

Olha, até que é divertido. Mas também dá um medo de esquecer de algo crítico, escolher uma opção errada em coisas obscuras como subarquitetura (que diabo é isso?) ou também uma certa cautela pra não colocar coisas demais (meu objetivo era algo mínimo, certo?) - nem suporte a NFTS coloquei, mas acho que foi um erro. Enfim, qualquer coisa acho que é fácil mudar uma opção ou duas e recompilar o kernel.

Anyway, fiquei assustado com a rapidez da compilação (achei que seria uma coisa do tipo “ah, deixa aí compilando e amanhã eu vejo se tá pela metade”, sabe?) - e, bem, depois acabei me decepcionando: lá vai eu usar a internet de novo… Internet de onde, como?

Bem, liguei pro Tiago e ele não tinha nenhuma solução. Deixei por isso mesmo e fiquei pensando que na segunda feira eu iria voltar lá no curso de inglês pra pegar mais internet…

Aí no sábado, equanto lia uma coisinha aqui e ali no Gentoo Handbook, ficava jogando freecell, backbone, frozen bubble, etc, me lembrei de uma coisa… Por que eu só consigo fazer o que eu consegui fazer antes com o CD do Gentoo? Será que não dá pra pegar algum outro LiveCD baseado no Gentoo pra fazer a mesma coisa?

Comecei a baixar o RescueSystem CD pelo computador do meu pai mas… A instalação misteriosamente parou no meio, como se fosse completa, mas não estava completa (faltava uns 100 Mega). Mas, ao invés de recomeçar, eu pensei… Mas pra que precisa ser uma distro baseada em Gentoo???

Peguei o Live CD do Ubuntu 8.04 e “bootei” (pegou? pegou?) no leitor de CD. aí abriu a GUI e tudo o mais… Abri o gnome-terminal e comecei a digitar… Mas aí lembrei de um pequeno problema. As instruções do e-mail do Tiago sobre montagem eram:

# mount /dev/hda3 /mnt/gentoo
# mount /dev/hda1 /mnt/gentoo/boot
# mount /dev/hda4 /mnt/gentoo/home
(…)
# chroot /mnt/gentoo /bin/bash
(…)

O problema é: não existe /mnt/gentoo no Live CD do Ubuntu. E agora?

Bem, o que eu tinha que fazer era saber onde estavam os pontos de montagem das minhas partições de HD, pois já que o Live CD do Ubuntu as reconhece, elas têm que ser montadas em algum lugar… Montei-as graficalmente através do nautilus (o comando mount nunca gostou de mim, principalmente com pen drives) e descobri que eles ficavam no /media (/media/disk, /media/disk-1, etc). Aí foi só desmontá-los, montá-los nos lugares certos e fazer o chroot (tendo lembrado, é claro, que o Ubuntu usa sdax, e não hdax, o que me confundiu por um tempinho).

Pronto! Já que no Ubuntu pega até o wifi, lá estava eu na sala usando o Gentoo. Usei o emerge pra baixar tudo que tinha que ser baixado, configurei o grub e ainda como bônus baixei o madwifi, pra, sei lá, tentar o wireless caso o dhcpcd falhasse.

Minha atual situação é: escrevendo do Ubuntu wubi-installed do meu pai, com o computador desligado aqui do lado. Eu bootei ele normalmente; o grub com aquela imagem que já vem com ele é lindo; o boot magicamente demora uns 15 segundos (um ganho muito superior ao Ubuntu e ao Slackware), mas a internet ainda não pega, nem a wireless nem a cable, e não tem framebuffer. Quanto ao framebuffer, não sei se o problema é no kernel ou no vga statement que fiz na configuração do boot. Mas enfim, esses são os dois problemas atuais do meu Gentoo recém-instalado: a internet e o framebuffer.

Até agora a instalação durou três dias, mas obviamente durará mais (estou a mercê da boa-vontade do Tiago de aparecer no Jabber porque não dá pra ligar de nenhum telefone daqui). No próximo post, cenas dos próximos capítulos…

Tags: , , ,

Posts relacionados: