Em um post de alguns dias atrás, o Reverendo Peterson Cekemp nos disse: “Daqui a cinquenta anos são os NOSSOS nomes que vão influenciar o discordianismo brasileiro. Nós estamos praticamente inventando o movimento, assustador.”

Esse negócio de futuro, discordianismo, blogs, tecnologia me deixou abismado com meus pensamentos, os adolescentes de hoje terão registrados todos os momentos de sua vida na internet, teremos cada passo nosso escrito em um blog, no fim de nossas vidas, teremos muito mais recordações que nossos antepassados, pois sempre que lermos o texto em nosso blog ou vermos a foto em nosso orkut, nos lembraremos de tais momentos em nossas vidas.

Fascinante? Para mim não. Imaginem, todos os seus erros escritos em páginas na internet, ao final de nossas vidas teremos um relatório completo de nossos erros. O que nos trará conseqüencias terríveis. Talvez eu mude o meu conceito sobre canetas e lápis.

Sempre desejei ter meu nome escrito na eternidade, sempre desejei ser mais que Einstein, Pelé, Marx, Getúlio e outros que têm seus nomes marcados na história. Talvez isto seja por causa de minha “arrogância”, sempre quero estar no topo, sempre mostro como eu estou no topo (mesmo não estando) e de como tenho controle da situação (mesmo não tendo), pois não quero ser mais um zé-ninguém, que quando eu morrer, poucos irão em meu enterro, e somente dirão “O Canedo foi um bom homem”. Não quero isso! Quero mais, no mínimo um feriado mundial em minha homenagem, para que todos se lembrem de mim! Impossível? Mas se existe feriado para o nascimento de um pastozinho de contos de fada, porque para mim que sou real, e mudarei o mundo muito mais que ele não pode ter? No final de minha vida, quero pensar Einstein e dizer “Você foi fichinha”.

Uma pequena metáfora que usei com o Rev. Peterson ontem, em uma colméia, existem milhões de operárias, quando uma morre, ninguém (importante) sente falta, porque na realidade aquela operária não faz falta! Esse é o problema, somos um monte de merda, não passamos de mais um entre milhões, bilhões, quando virarmos adubos, irão dizer “e o kiko?”.

Pensam que eu quero ser uma rainha? Não! Eu não quero ser uma rainha! Quero ser A RAINHA.

Não sei se concordam comigo, mas meu égo me faz pensar assim, de querer ser maior, de querer ser mais que os outros, e de quando chegar no topo, querer ser mais que o que eu realmente sou.

Talvez eu pense assim por causa do ateísmo, penso que esta pode ser a razão porque quando vejos pessoas orando, sinto pena. Pena de pessoas que disperdiçam um bom tempo de suas vidas por nada, talvez nem seja por nada, pode ser por consolo talvez. Consolo de que nunca serão mais do que são. Que quem nasceu debaixo de uma ponte tem tudo para viver lá até o fim de sua vida, que quando morrer ninguém vai se tocar de que ali faleceu um ser-humano, a maior obra-prima da natureza. Um consolo de que quem nasce pobre, nunca experimentará os gozos da vida de um rico, que nunca saberá o que é um caviar, qual a sensação de voar, como é linda a vida submarina e como é fascinante o universo e sua origem. Um consolo para que pense que um dia será a dona da situação, que um dia terá tudo o que sempre quis. Mas Deus não passa disso, um consolo para quem nasceu (e sabe que vai morrer) na lama.

Por isso gozo de todos os prazeres da vida, não perco tempo com discussões baratas, e jamais brigo com pessoas que amo. Dou valor ao dinheiro, mesmo não gostando do mesmo, sei que ele, apesar de estragar o homem, é importante, pois somente a ignorãncia lhe inclui em uma sociedade ignorante.

O título sugere que eu tenho medo de morrer, de virar adubo. Mas não, enfrento a morte todos os dias (vide Final Destination), tenho medo é do esquecimento, morrer sem ser ninguém, e para piorar eu posso clicar em um link, e ver que o outro cara que divide a UTI comigo teve uma vida bem melhor que a minha, ou pelo menos é isso que mostra o blog dele.

Sou ateu, mas gostaria muito que existisse um Deus para me confortar, poderia ser até com todas as maluquices que estão escritas na bíblia, mas me confortaria muito, mas como sou inteligente o bastante para ser Ateu graças a Deus. E talvez eu possa até parar com mindfucks, pessoas pequenas não teriam cabeça o suficiente para conter o trauma de que sempre serão um saco de batatas podre que nunca servirão para nada.

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