Eu fugi muito desse post. Eu estou para escrevê-lo há tempo, mas tive medo. Medo de não saber como explicar, como escrever. Medo de escrever besteira. Mas agora chegou a hora. Ouvindo “Butterflies and Hurricanes” do Muse, tenho a inspiração necessária para começar. E seja o que Éris palpitar.

O dinheiro é apenas um pedaço de papel. Um cara chamado Luther Blisset escreveu que se o dinheiro não existisse, alguém o inventaria. “Nós somos mercenários”.

No post minha visão de contrariedade, coloquei o meu background de idéias pra sustentar que é possível fugir à esse destino cruel de ser escravo do dinheiro. Um pedaço de papel… Um simples pedaço de papel, que representa poder, fama, mulheres, e tudo o mais o que você deseja. Algumas coisas vêm de modo falso, outras de modo verdadeiro. O dinheiro é o poder; ele é a bateria da Máquina ©. Numa sociedade anarquista, que pretende planificar o poder (e eu usaria do foco discordiano, escrito neste post aqui), é imprescindível que o dinheiro seja abolido.

O dinheiro é apenas uma moeda de troca? Bem, é, e como tal ele deveria funcionar, na teoria. Pra mim, o problema do dinheiro é, por exemplo, a desigualdade que ele provoca em termos de tudo. Um trabalho vale mais que outro, por exemplo. Por que isso?

Há algum tempo, eu deixei escapar em um post sobre a minha teoria de trabalho como moeda de troca. Como funcionaria isso? Chegou a vez de explicar o meu candidato à substituto do dinheiro: tempo de trabalho.

Cada mercadoria ou serviço na sociedade custaria um determinado tempo de trabalho. Mas esse tempo não seria “trocado”. Ele seria gerado a partir do nada… E seu gasto não é uma transferência, é um consumo, como se uma nota de dez reais consumida pelo fogo.

Se alguém trabalha por uma hora, ganha 1 hora de trabalho como “moeda”. Só que de onde veio essa “1 hora”? Dele mesmo. Não foi necessário que essa 1 hora saísse de algum lugar. Ele produziu seu direito a comprar alguma coisa trabalhando. E pra onde vai essa 1 hora? Quando ele compra alguma coisa, essa 1 hora não é transferida, ela é consumida. Ela acaba. É simples assim.

Primeiro que assim o sistema seria justo: no atual system, ninguém dá bola pro dinheiro que você tem. Você pode comprar o que quiser com qualquer dinheiro, seja ele roubado ou fruto de trabalho honesto. Se é dinheiro, tá valendo. Da mesma forma, esses velhos magnatas que ficam algum tempinho no computador ganhando milhões em ações, que esforço eles tiveram pra isso? Você poderia argumentar: eles trabalharam a vida inteira, mas e daí? Eles não estão sendo úteis para a sociedade agora (mas não vamos nos desviar do assunto, não vamos falar nada sobre a terceira idade, pelamordéris, isso é pra ooutra hora…).

O trabalho seria honesto justamente por causa disso: o dinheiro seria seu. Agora, você pode cobrar o dobro do preço normal de alguma coisa e algum idiota pagar. Assim você lucra. Você ganhou algo proporcional não ao seu esforço. Você mereceu pela esperteza, mas não contribuiu para a sociedade na mesma proporção. Aqui, não.

Aqui, o dinheiro seria seu. Não há como roubar horas de trabalho. Não há como se dar bem em cima do trabalho dos outros. É você e você mesmo. Quer se dar bem na vida? Quer ter uma casa super luxuosa? Trabalhe muito, oras. É uma questão de valoração.

Nesse sistema, ninguém seria obrigado a ter uma vida simplezinha, não é? Mas o foco é diferente (leia o post ali em cima sobre o foco discordiano), e se você quer ser mais, quer trabalhar em função de suas posses, tudo bem, você é livre pra fazê-lo, sem problema. Só que trabalhe pra isso e deixe a vida passar…

Eu vou explicar uma coisa: eu tive essa idéia pelo lado humano da coisa. Acho que é um sistema que proporciona liberdade, discordianismo, anarquismo, é útil, é prático, é justo. Entretanto, eu não sei se funciona, porque, caramba, tenho apenas 14/15 anos, e é por isso que tenho cada vez mais certeza de que quero fazer ciências sociais na universidade. Quero estudar economia (embora me interesse por ciências políticas também), porque quero estudar essa minha idéia do ponto de vista pragmático, quero ver se isso pode dar certo mesmo. Entendem o que digo?

Eu sou um leigo total em economia. Não sei direito o que é o superávit, PIB, essas coisas. Não entendo quase nada. Mas quero estudar sobre isso pra ver se um sistema que, pra mim, parece quase perfeito do ponto de vista “humano”, seria bom no ponto de vista “materialista” da coisa.

E então… O que acham? Consegui passar essa idéia direito ou ficou meio confuso?

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