Existe um charme e uma glória muito grandes na música alternativa de cada segmento musical. Cada música que não se enquadra no comum é um desafio para os ouvintes; cada um tem que vencer seus preconceitos musicais e principalmente remodelar os ouvidos praquela música, ou de outra forma só vai parecer uma música esquisita. Depois de muito esforço, a pessoa, entretanto, entra em um novo mundo; a música alternativa é uma vitória e conseguir gostar dela é maravilhoso.

Do exagero

Entretanto, para alguns, a tarefa de “remodelar os ouvidos” é antes um rito de iniciação; a nova música torna-se uma nova religião, e nela há todo o ódio característico da religião. É deplorável.

Sobre o ódio musical:

Não existe luta contra idéias. Mas lutar contra pessoas é muita ignorância.

Para os que têm visão musical estreita:

Mente aberta não é mente vazia.

A tensão entre o rock e o samba

Não existe nenhuma música que não possa ser colocada na dualidade entre o rock e o samba. Mesmo que muita gente não conheça o samba, esse é o único antagonismo na música, é inevitável. E uma não é para o outro algo “alternativo”; é um verdadeiro inimigo, onde se vive em uma paz de mentira.

Somente alguém que não é apaixonado por música

Não toma partido nessa dualidade. Aqueles que gostam de todos os tipos de música, sem nenhuma diferença, e por isso não tomam partido, são chatos racionais, e aposto que seu trabalho tem a ver com a música – categorizá-la, estudá-la, medi-la… E aqueles que dizem “tanto faz”, bem, o título diz tudo…

Vamos, não vamos?

Se todo gosto de algo consiste em não ser aquilo que se odeia, então a pessoa sempre será estranha ao seu próprio gosto, num eterno jantar polido com o “inimigo do meu inimigo”.

Rock, e tudo, é tudo

Rock é a única música universal. Reconheça; funk fala de putaria – ou de crítica social, mas não são esses que ficam famosos para os riquinhos que dançam funk – samba fala de amor (ou de algo que muito se parece, mas não é, amor), pagode fala de relacionamentos (liga pra miiiim… Meu coraçããão… Vai te pegaaar…), rap fala de fama (lá) ou de pobreza (aqui), pop fala de sentimentalismo adolescente, ou uma tarde no shopping, ou feminismo, ou machismo (ambos travestidos de independência e modernidade). Músicas regionais (Sejam elas gaúchas ou alemãs) falam de duplo sentido, e por aí vai. Mas se você pega uma bateria, um baixo, uma ou duas guitarras, e um vocal (além de gente pra tocar isso tudo), você pode falar de qualquer coisa. Rock é uma plataforma que agüenta de crítica social à depressão filosófica, de amor submisso e até desprezo pelo fim da relação. Só no rock tem tudo. Prove o contrário.

Para os que acham isso um absurdo

Você não ouviria uma letra inteligente de verdade num funk.

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