Na entrevista que fiz com os discordianos do PD Forum há alguns meses, uma das perguntas foi “o que você diria a Paris Hilton, se tivesse a chance?” - e um deles, o Hoopla, disse que adoraria conversar com ela, porque deve ser interessante conhecer a visão de mundo dela - e que deve haver mais do que uma loira burra lá.

Não sei se concordo com ele, mas conhecer visões de mundo é uma coisa fantástica. Por exemplo, eu gosto de andar um pouco com a minha velha amiga Ju e com uma amiga não tão velha (mas tão incrível quanto) Paula. Ontem, enquanto estávamos nas mesas de mármore que ficam nos fundos do colégio, perto do prédio de educação infantil, eu vi que elas xingavam alguns meninos e meninas - não necessariamente na cara deles - de feios. “Que feio, que feio!”, dizia uma. Não é um julgamento pela aparência superficial; na verdade a opinião delas é que pode ser feio, ruim é quando a pessoa não tenta nem se arrumar. Humm…

Tem uma menina na sala, por sinal antipática e nojentinha - todo mundo conhece um tipinho assim - que elas não suportam. Chamam de “amizadje” porque quase não sabem o nome dela, mas sabem que é uma amiga de uma outra menina lá. Elas vivem gritando pra ela quando ela está por perto coisas como “Grrr, que ódio da amizadje!” ou “amizadje feia!” ou “pobre, que POBRE!”. Não é que elas cultuem o status quo, é que elas preferem que a pessoa tenha o mínimo de discernimento sobre sua própria aparência. Não é uma questão de ser pobre, é uma questão de escolher se vestir como um “pobre” - pobre pra elas é mais uma linguagem figurada, mas é próximo à imagem mental que temos de “pobre”.

É engraçado que faz algumas semanas li no blog Sublime Sucubus uma frase muito legal. A autora, revoltada, disse que estava, sim, ligando pra aparência, e que estava cansada de ouvir pessoas dizendo que “o que importa é a beleza interior”. Pra ela uma importa tanto quanto a outra; a frase é um consolo insuportável de ouvir pras feinhas que pensam. Uma verdade simples e bem óbvia, mas a gente acaba acreditando mesmo que o que importa mesmo é a beleza interior. Claro que importa. Mas a exterior também conta sim, é claro.

De qualquer forma, só pra deixar claro que elas não cultuam o status quo, a Juliana disse que nós não temos “cara de segundo ano” - a nossa turma. Todo mundo crianção, bobão ainda. Meninas infantis, meninos mais ainda*. Ela disse que “na época da irmã dela o segundo ano era mais cabeça”. Não sei se houve essa involução… Mas também não acredito que melhorou. Acredito que não tem diferença mesmo; vai ver ela teve contato com as pessoas certas quando a irmã dela estava no segundo ano.

* Eu tenho muito mais amigAs do que amigOs. O motivo é um só. O sexo masculino no meu colégio é quase acéfalo. Poucos constituem exceção.

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