As torrenciais paixões e agoniadas satisfações de vontades provenientes do “viva como se fosse o último dia” ganharam um bom oponente, penso eu. O “viva como se soubesse que não pode morrer”.

Bom, na verdade a frase é simplificada e não significa exatamente isso. Douglas Adams no livro “Vida, Universo e Tudo Mais” dá um verdadeiro presente à Arthur Dent. Quando este encontra-se com Agrajag, um monstro que foi morto em várias e várias reencarnações por Arthur, fica sabendo que ele matou Agrajag num lugar chamado Stavromula Beta - só que ele ainda não tinha feito isso. Logo, Arthur não podia morrer até matar Agrajag mais uma vez.

É interessante pensar dessa forma: os destemperos e inconsistências da vida humana provém da incerteza sobre o tempo que nos resta. Afinal, podemos morrer amanhã, e então tiramos dessa frase uma moralidade para viver. Mas, afinal, isso pode não acontecer; quem se esquece de que podemos morrer amanhã vive como se fosse viver pra sempre. O que o escritor britânico nos deu foi um meio-termo: Arthur sabia que não podia morrer. Portanto, ele tanto podia viver uma vida tranquila, sem sobressaltos, quanto uma vida cheia de aventuras perigosas e empolgantes, já que ele não poderia morrer de qualquer forma.


Creative Commons License photo credit: MrClementi

Uma boa filosofia de vida, não? Duas perguntas: qual das três vocês preferem? Achar que morre amanhã, nem pensar que pode morrer amanhã ou saber exatamente as condições exatas que ainda não ocorreram que levam à sua morte? E a outra: o que vocês queriam que acontecesse pra marcar a morte de vocês? Analogamente, se Arthur ainda teria que matar Agrajag mais uma vez, o que vocês “fariam pra morrer”?

Tags: , , , , , , , , , , , ,

Posts relacionados: