Fiquei um tempo sem postar nada no blog porque eu instalei o Gentoo mas o meu computador não reconheceu direito a internet a cabo (e a minha placa de rede é Atheros, então precisa de madwifi). Aí, para a minha sorte, depois de instalado o mardito, é o wireless que resolveu não pegar - dias sem internet (quem mandou contratar a net…) e algumas horas em que pude usá-la pelo computador do meu pai. Mas aí é mais ou menos como.. sei lá, não sei como explicar. É como dormir fora de casa. Eu gosto do meu computador. Tão bonitinho ele. Sujinho, coitado, mas tão bonitinho. Eu já tenho uma certa ligação com ele, sinto-me mais criativo com ele. Não senti a menor vontade sequer de apertar o botão de Publish num computador que não fosse o meu, com um firefox que não fosse o meu…

Bem, esse post tem dois nomes porque esse tempo longe das publicações me deu tempo pra refletir em outras coisas também. Não apenas eu estava tarefizando demais como também estava me solidificando demais. Costumo dizer (ou pelo menos pensar, se ninguém nunca ouviu isso) que minha raiz é o discordianismo, e meu pensamento fundamental é o discordianismo. Mas acredito que é impossível aplicar o discordianismo. Não dá pra ser discordiano aplicando a regra do verdadeiro, falso ou irrelevante o tempo todo. Vc não vai sair do lugar porque vc não sabe se o chão é real ou não. Aliás, vc não sabe nem se você é real ou não. Isso não é nada prático.

Pra mim, o discordianismo seria justamente a capacidade de saber que a sua realidade vc pode interpretar de outras maneiras e o fazer se isso for útil - não apenas “útil” como alguns podem pensar, usa-se o valor que quiser aí - ou seja, o discordianismo é um suporte a uma construção de realidade, que torna possível você entender a realidade como uma construção.

Nos últimos tempos, entretanto, venho querendo fazer posts que quero escrever há muito tempo, como o do capitalismo, que é complicadíssimo pra mim porque ele é essencialmente um resumo - críticas “come pelas beiradas” eu já venho fazendo há tempo, mas não descobri ainda um jeito de resumir de forma coerente o que eu penso sobre o capitalismo pra fazer uma crítica mais sólida a ele. E há algumas semanas eu achei que havia “descoberto” esse texto. Escrevi-o e, incerto, deixei-o guardado nos rascunhos.

Mas então comecei a andar por derivaćões das conclusões dos textos e em pouco tempo já o havia relacionado com outros temas e outras idéias e num mar de caos minha mente enxergava contradićões aqui e ali, e aí resolvi não publicá-lo até ter certeza do que o que eu queria dizer estava minimamente pronto, sem nenhuma falha grosseira ou qualquer coisa do tipo.

Bem, estou convencido de que falhas grosseiras o texto não contém - o que eu estava querendo mesmo era eliminar a sombra de dúvidas. Ora, há tarefa mais absurda para um discordiano? Onde é que eu estava com a cabeça, afinal? Não sei, mas sei que lembrei-me de uma frase legal do Tiago, proferida numa conversa filosófica enquanto caminhávamos ao lado da UFSC no dia da pseudo-instalação do Gentoo. “A vida não precisa fazer sentido, cara. Dá pra viver muito bem com uma vida sem sentido”.

(Aproveito pra contar uma parte engraçada da conversa: Tiago: “Como dizia aquele filósofo romano, ‘O que é a verdade?’ Eu: … Sêneca? Tiago: Jesus Cristo Eu: Mas Tiago, Jesus era judeu.)

Enfim. Não sei se vou publicar aquele texto ainda ou se vou deixar essas tarefas de globalizar as minhas idéias pra deixá-las retas e coerentes para o Busca - lugar em que elas vão ficar soltas, com alguma coerência, mas sem objetividade… De uma forma ou de outra, estou de volta à ativa.

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